quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

UMA FLORESTA NUMA CAIXA

Não tenho conseguido escrever muito frequentemente, mas tenho tentado trabalhar nas sestas do R e não são assim tão longas, por isso tenho de aproveitá-las. Agora, estou com os dois, M e R, em casa a gozar as férias de Natal. Namoramos, passeamos, visitamos amigos e recebemos visitas... é mais ou menos assim que passamos os dias. Vi num livro uma ideia que achei muito engraçada para fazer com eles, e como receberam utensílios para a horta no Natal, foi uma boa maneira de os experimentar. Então, a ideia é fazer uma floresta ou uma horta numa caixa de madeira, daquelas da mercearia. Põe-se terra e depois é só imaginar o que se quiser. Podem-se pôr árvores, lagos, riachos, pedras mágicas, duendes, fadas e um sem fim de coisas. Nós ainda só pusémos a terra e já lá vão dois dias, mas eu estou ansiosa por fazer este nosso projecto... mas acho sinceramente que sou a que estou mais excitada com a brincadeira...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O meu coração diz que não

Hoje a minha querida M chegou à mesa para jantar e eu senti que ela estava entre o excitada e o gozona, com vontade de testar limites... tentei fingir que não via, para a coisa fluir, mas o rabo sempre de fora da cadeira, as brincadeiras para evitar comer, o pai a começar a ferver... mas conseguiu-se chegar ao fim do jantar sem explosões. Depois, vestir o pijama, escorregadia, a dizer que não, mas sempre dengosa e a rir-se, um bocadinho provocadora. Estava gira, é verdade, mas depois de um bocado, quando se quer agilizar a coisa, começa a irritar. O T desiste e eu, a dar mamas, avanço mais um bocadito. Uma história a mãe, uma história o pai. Está quase pronta, só falta mais uma parte: lavar os dentes e xi-xi. Faz-se pesada, mas lá vai com o pai enquanto deito o R. Chego lá e vejo que aquilo não está fácil. Fujo. Encontram-me na cozinha. Não quer lavar os dentes, é com a mamã... mas  não aceitei: -"desculpa, mas não, vais lavar os dentes com o pai". Ela ri-se e agarra-se às minhas pernas divertida, mas eu já não estou divertida e estou a perder o humor. Não quero conversas, mas ela insiste. Começa a fazer barulho, o mano dorme. Pego-a ao colo até à casa-de-banho num impulso daqueles, sento-a no chão à minha frente, agarro-lhe na carinha com firmeza para ela olhar para mim e digo-lhe, furiosa, que ela vai parar com aquilo. Ela fica a chorar e lava os dentes com o pai. Vou lá ter, já cheia de remorsos, claro, pois sei que fui bruta. Agarra-se a mim e fazemos as pazes. Dizemos-lhe que não gostamos que ela faça isso. Ela diz que não faz mais. Digo-lhe que não gosto de ser assim bruta com ela. Vamos para a caminha. Ela diz que a magoei quando lhe agarrei a cara, "que a apertei". Peço-lhe desculpa se a magoei, mas digo-lhe que acho que não a magoei (pelo menos por fora...). Agarramo-nos como sempre, mas o meu coração está pequenino. Dá-me um beijinho, peço eu. Estou a dormir, diz ela. Está bem, já percebi... digo-lhe que a adoro e dou-lhe beijinhos. Fico a vê-la adormecer... tão rápida. Sei que às vezes temos de ser firmes, mas há uma linha tão ténue entre a firmeza e a brusquidão. O T diz: "tem de ser", mas assim, desta forma, o meu coração acha que não...

"O Comedouro" ou "tudo o que não se deve fazer na alimentação dos seus filhos"

Os meus filhos são lindos, fofinhos e deliciosos, não podiam ser mais, mas claro, não podiam ser perfeitos. Então, quer  um, quer outro não foram ou são bebés fáceis de alimentar. Com as mamocas é tudo ouro sobre azul, mas quando se passa para a colher é que o caldo azeda. Com a M eu estava super entusiamada, achava que devia ser espectacular dar de comer, o que rapidamente descobri não ser verdade. A minha fofinha não gostou da mudança e eu tentei fazer tudo, mais ou menos (porque não me é muito natural), "by de book", respeitando a introdução dos alimentos (mais ou menos) e nos tempos previstos. Ela não gostava, mas eu achava que ela tinha de comer, então, com muito amor, carinho e paciência empurrava-lhe gentilmente as colheradas para dentro da boca. Ou seja, obrigava-a a comer até ela ficar chateada. Até ao dia em que ela percebeu que podia cuspir e desde esse dia deixou de funcionar e passei a ter de aceitar o que ela comia. Não me orgulho de ter insistido, mas como eu acreditava que era o melhor para ela, fazia-o. Felizmente agora, a M come de tudo e bem (não sou nada exigente em quantidades!), mas fez greve à sopa durante um largo período e aos dois anos recomeçou a comê-la. Com o R quis fazer tudo melhor. Já não tinha a certeza quanto aos benefícios de "obrigar" a comer, por isso, não queria ir por esse caminho. Mesmo que eu quisesse, acho que ele não me ía deixar, pois é um poço de sensibilidade (tal como a M era e é, mas neste assunto acho que ele leva mais a peito). Confesso que por duas vezes ele estava a chorar de boca aberta e eu enfiei umas colheradas para ver se pegava... ele cuspiu tudo, sujou-se todo e, o pior, ficou muito sentido comigo. Mas desta vez, com o R, eu tinha lido algures que o leite materno, até um ano de idade, é o principal alimento, então estive muito relaxada... e preguiçosa. Pois se não havia sopa, dava mama, se havia visitas e confusão, dava mama, se íamos à rua, mama dava, e por aí adiante. Quando estava quase a chegar ao ano senti-me um bocadito tensa, pois ía a Lisboa ver a família ("tão pequenino que ele está?"; "parece um passarito", "o que é que o médico disse?") e também ía à consulta de um ano (não tem percentil de peso!). Então comecei a fazer um esforço enorme, tentando dar menos mama e sendo menos preguiçosa na preparação dos alimentos. Resultado: o R ficava muito irritado e a comida não era comida à mesma, eu ficava angustiada e triste e claro que acabava sempre por dar mama. Passado este período de tensão e com as sábias palavras da minha querida doula na cabeça (palavras essas que ecoavam no meu coração), voltei a relaxar, dando-lhe maminha sempre que quer, mas esforcei-me e esforço-me todos os dias para lhe dar de comer. É difícil, mas acho que cada vez mais ele vai gostando, só que sempre em quantidades de passarinho. E falando em pássaros e visto que ele não aguenta muito tempo sentado, arranjei um novo método não recomendado nos livros de pediatria, de certeza: o comedouro. O R e a M gostam de andar à volta da mesa quando acabam, por isso, quando o R passa pelo comedouro (uma espécie de prateleira que há ao nível dos olhos dele, quando ele está em pé) vai lá buscar uma migalhita do jantar e segue caminho... e é assim! Há que ser criativo...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Um novo membro na família

Não é um ser vivo mas também tem de ser alimentada, com gasóleo e cuidados. É a nossa amêndoa. Tanto a desejámos e finalmente conseguimos comprar (para depois vendermos um dos carros, pois a “amêndoa” passou a ser o meu novo carro do dia-a-dia). É uma carrinha ford transit bonita, velhinha (de 89), tem umas ferrugenzitas, mais umas coisitas pequenas com um aspecto gasto, mas nós estamos radiantes, pois dá para dormirmos lá dentro em frente à praia, como sempre sonhámos. E já foi estreada (há quinze dias, mas eu levo tempo a escrever...) graças ao atraso do Outono! Eu e os garotos acordámos bem cedinho e antes das 8 já passeávamos pela praia. O mar estava maravilhoso. Depois regressámos à amêndoa para acordar o pai e pequeno-almoçar e voltámos à praia para uns últimos mergulhos. Adivinham-se umas belas férias para o ano na nossa querida amêndoa. E é um óptimo carro do dia-a-dia. Adoro conduzir lá em cima e poder andar lá dentro. É um carro perfeito para poder levar crianças, pois posso ir ter com eles, podemos andar, vestirmo-nos, preparar-nos e só quando já está tudo é que vimos cá para fora.
Agora o Outono já chegou, estabeleceu-se. Por cá choveu muito nesta noite, mas é tão bom acordar com este cheiro a terra molhada...

Só faltou o Tony!

O R fez um ano e fomos a Lisboa e fizemos um mega pic-nic no Monsanto… só faltou mesmo o Tony! Foi muita gente, houve muita comida e no final senti que falei pouco com toda a gente e que não comi nada de jeito, mas andei quase sempre de mão dada com o meu pequeno que me levava nas suas explorações. A minha M também esteve feliz a brincar com muitos amigos e familiares, só quis colinho da mãe um bocado quando esteve cansada, de resto não me ligou quase nadinha. O T quase não o vi. Mas gostámos de ver tantos amigos juntos e as pouquinhas conversas que tivemos souberam-nos bem, tínhamos saudades! O R esteve na maior, sempre a querer andar pela minha mão (aprendeu a andar sozinho uma semana antes de fazer um ano, mas em terrenos difíceis não dispensa a mãozinha), a agarrar aqui, a mexer ali, mais umas mamocas, uns  colinhos, uns beijinhos, dormir nem por isso pois era a sua festa! Viva o R! Viva!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Nós e os bichos

Chegámos cá e eramos 4. Pouco tempo depois a tartaruga do meu querido R (sobrinho) veio para cá viver (a spider-turtle ou patareca) e passámos a 5. Depois apareceu uma cadela. Demos-lhe de comer, não nos largou, adora os miúdos... eu fiquei logo convencida, o T nem por isso, mas acabou por se envolver e adoptámo-la, é a Flor, e ficámos 6. Depois comprámos dois pintos (fêmeas), para um dia virem a pôr ovos, que são a Livro e a Copo, e ficámos 8. Agora temos de dar de comer a todos, mas os bichos comem muito mais rápido que os meus bebés, é muito mais fácil! Todos têm uma casa na rua. A turtle foi para um tanque e a casa do livro e da copo e a casa da Flor foram feitas pelo pai, com o apoio, ajuda e design (palpites) de toda a família, claro! Só passaram 4 meses, se continuamos a crescer a este ritmo...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Queria ser mosca...

... para ver o que se passa numa escola enorme, cheia de alunos e professores, onde entreguei pela primeira vez o meu R. esta manhã e onde o irei entregar (previsivelmente) nos próximos anos. Não, não é a 1ª classe, é pior do que isso: é o 5º ano, é uma escola nova, são muitas disciplinas, muitos livros, muitos cadernos, é tudo novo. Mas ele lá foi, cheio de energia e vontade. Está tão crescido, o meu filhote. Já não posso ir ver a sala onde ele está, em que sítio se senta, como é a sua relação com os professores, com os auxiliares, com os colegas... acho que estou com a nostalgia do 1º ciclo...

Mas entre as muitas coisas que farei mal, porque não consigo ser uma super mãe, tenho muitas vezes sinais de que, mesmo assim, nem tudo me sai assim tão mal: antes das férias de Verão combinei com o R. que este ano lectivo tiraríamos a televisão do quarto dele. Ele sugeriu que apenas desligássemos os cabos, para não estragar a decoração do quarto (ficava o buraco livre...) e eu aceitei. Ontem à noite, antes de ir para a cama, o R. foi, por sua iniciativa, desligar os cabos da televisão, já que hoje era o 1º dia de aulas. Fiquei orgulhosa do meu filho. É tão lindo!