quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Sabes que (até) estás a fazer as coisas bem quando...#1

Nota prévia: Resolvi inaugurar uma rubrica nova aqui no blog, para partilharmos as coisas "mai-lindas" que os nossos filhos fazem; aquelas que nos enchem de orgulho e que nos fazem pensar que, afinal, até estamos a fazer as coisas (relativamente) bem feitas... (Também se pode pensar numa com o título "Tens ideia que podes estar a fazer tudo mal quando...")

E como fui eu que criei, sou eu que vou estrear!

Quando fui buscar o R ontem, à escola, a primeira coisa que me disse foi "Mãe, tive falta de material a Português!" E antes que eu pudesse refilar - não costumo refilar muito intensamente com estas faltas, também porque são pouco frequentes, embora me faça uma certa confusão que se esqueça de levar as coisas do dia-a-dia para a escola, quando não tem mais nada em que pensar senão a escola... - acrescentou: "O X [um dos melhores amigos dele] ia ter apresentação e esqueceu-se do livro em casa. E sem o livro a professora não o ia deixar fazer a apresentação, por isso, emprestei-lhe o meu e tive que dizer à professora que não o tinha trazido".

Tão querido, não é? Claro que lhe disse que fez bem. Ter uma falta de material não tem importância nenhuma e era bem mais chato o colega dele não ter feito a apresentação.

Mas achei uma atitude muito fofinha da coisa-mai-linda-filhinho-de-sua-mãe! 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Namorados e Nabiças

No dia dos namorados fizémos uma surpresa para o pai. Fizémos bolachas de alfarroba e chocolate em forma de coração (quase que comem a massa toda antes de ir para o forno). Também fizémos círculos e ursinhos. Pusémos umas almofadas no chão, um tabuleiro com as bolachas e velas em forma de coração. Apanhámos flores e enfeitámos a casa. Vestimos-nos a rigor: a M de princesa, o R de príncipe pirata e eu com um vestido de Verão comprido e um chapéu da Maria (de princesa, talvez). Fechámos as portadas e deixámos as velas acesas e umas luzes de Natal. Escolhemos uma música: "Cinderela", do Carlos Paião. Quando o pai chegou (momento muito esperado e muito excitante), tirou o casaco e pusémos o tema musical e trouxémo-lo para dançar connosco. Ele olhou para nós com um ar de "porque é que eu não tenho uma família normal", mas depois "aqueceu". Trazia umas lindas flores para nós os três. E depois trocámos presentes: A M fez, com fio de crochet, um colar para mim, uma pulseira para o T e um cinto para o R. O R fez uma "tereré" com lã para a mana (com ajuda) e para nós desenhos (que a M "obrigou" a fazer e como ele não estava a fim, ela fez um deles, ao estilo dele...). Nós demos autocolantes e um carrinho de estrunfina com a dita dentro para os dois. Foi bom! Viva o namoro, viva o amor!
Hoje fizémos plasticina de nabiça e como não estava a correr muito bem, acabámos por fazer massa de pão (esverdeada) e com ela fiz pães com chouriço, salsicha e cocolate. Isto e uma canja de massas, cogumelos e cenoura e... voilá, almoço feito!
Ps- As pinturas de beterraba ficaram maravilhosas!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

rabanetes, couve roxa, plasticina de beterraba e cházinho!

Ontem não sei bem o que fizémos além de irmos ao ballet (a M começou a ir e adora e eu e o R vamos ao café, e ele adora (os bolos)). Não deu para fazer horta porque chovia. Ao almoço quiseram provar os rabanetes (que estavam no meu prato). A M descobriu que descascados não picam tanto e gosta. O R também, mas menos, e quando pica põe uma garfada de arroz na boca, "assim passa!", diz ele muito contente. Hoje descobriram a couve roxa e comeram mais de meia couve crua, como se fosse chocolate! Ficaram com a boca e os dedos roxos. Fizémos uns desenhos para oferecer a uma família amiga em que nasceu uma bebé hoje por volta das 4 da manhã! A M fez um tão giro: a nossa amiga com uma grande barriga e o bebé a aparecer, primeiro só a cabeça, depois até metade do corpo e depois todo completo. O R fez uns riscos e contou-me que eram uma baleia e um tubarão e até encontrámos por lá uma cauda!
Depois a M quis fazer plasticina que se possa comer e então, como já tínhamos feito antes, fizémos plasticina com beterraba, farinha e azeite. E desta vez ficou óptima e com uma cor linda. Ainda reservei "tinta" de beterraba para amanhã... talvez. Eu experimentei e também resultou bem melhor que na primeira vez, que estava cheia de grumos!
A M quis fazer um chá e uns doces que encontrou num livrinho de receitas e fizémos e servimos no seu micro-conjunto de chá! Ela arranjou-se para "ficar mais bonita" e convidou uma amiga (que é minha amiga também... eh,eh!). E assim foi... estava óptimo!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Nova versão... diário de uma super mãe super imperfeita!

Sempre que aqui venho reparo que não escrevo há tanto tempo!!! Então ponho-me a ler o passado.
Hiiiiiiiia! Já chega de lamentações. Agora quero escrever o que faço com os meus pequenos. É que às vezes leio uns blogues com coisas que outras famílias fazem e gosto tanto, fico tão inspirada!!! Não sei é como é que conseguem ter tempo para escrever e pôr fotos e todas essas coisas que adoro ver! Com certeza serão mais ágeis do que eu nesta matéria. E possivelmente serão mais organizados. Eu vou tentar escrever mais regularmente... sem promessas e sem fotos, que isso já deve dar um grande trabalhão. Mas deve ser giro ficar com um diário das nossas vidas! Já tenho 3 anos de diário (muito pouco diário, quase anuário). São quase sempre lamentos de uma mãe desesperada com a sua imperfeição, mas até gostei de ler, lembrei-me deles, dos pequenos, ainda mais pequeninos e foi tão bom! Por isso convido as minhas amigas a juntarem-se a este diário conjunto!
Hoje foi assim, em resumo, porque esta é a hora que dedico ao T, e ele já está à espera:
- Começámos a fazer uma horta, só nossa. Cávamos, arrancámos ervas, roubámos estrume e pusemos composto! Trabalhámos muito... fiquei moídinha e eles já estavam fartos. Amanhã há mais.
- Fizémos jogos: (a pedido: macaquinho do chinês) e depois brincadeiras de expressão dramática que costumava fazer com os alunos: o jogo do sério (um fica sentado, sério, e o outro tenta fazer rir); improvisação inventada (o R ía numa jangada e via uma sereia, a M); improvisação conjunta (estávamos a dormir e começámos a sonhar que estávamos na selva e estivémos com macacos, tigres, cocos, bananas, ursos e peixes, depois fomos transformados em formigas e depois em gigantes e depois... já nem sei!), este adoraram; jogo das estátuas (M gostou, R nem por isso).
E assim foi. Até breve... espero!

sábado, 3 de agosto de 2013

eu queria ser... eu!

Já não escrevo há tanto tempo e hoje deu-me a saudade e vim visitar o blog. Li alguns dos meus relatos de culpa e deu-me vontade de escrever. Ainda não sei bem o quê. Tenho escrito menos porque tenho tido menos paciência para a minha culpa. Comecei a fartar-me de me sentir culpada. E com isto não quer dizer que tenha deixado de fazer disparates e de sentir culpa. Continuo a fazer coisas das quais não me orgulho e continuo a sentir-me culpada quando isso acontece, porque continuo a achar que os meus filhos e todos os filhos do mundo merecem que os pais os tratem com o maior respeito. Mas acho que começo a aceitar melhor as minhas grandes imperfeições. Fazem parte de mim. Sou eu...
Mas hoje lembrei-me do blog porque quando estava na cama com os meus M e R, à espera que eles adormecessem, comecei a lembrar-me de alguns dos meus piores momentos enquanto mãe. E a minha velha amiga, a culpa, apertou-me o coração. Nem sei se é culpa ou remorso. No fundo, o que eu queria era nunca ter tido aqueles momentos de ira. E que essa ira nunca tivesse sido direcionada àqueles seres maravilhosos. Mas foi. Aconteceu. Umas vezes com gritos, outras com olhares, outras com movimentos secos vazios de amor.
Na verdade, nos últimos tempos tem tudo sido mais fácil. O R está mais crescido, a M também. Nunca vão à escola. Sou finalmente mãe a full-time, um sonho que pude realizar com a desculpa de não ter dinheiro para o jardim-de-infância (às vezes tenho de dar voltas às coisas em vez de as assumir diretamente... parece que me custa impor os meus desejos...). Sem qualquer dúvida, desde que o sou, sinto menos culpa, porque estou com eles sempre, como sempre quis. Porque, na verdade, era o que eu sempre queria ter feito. Porque era assim que eu queria que fosse. Por isso, desde o final de Dezembro, de alguma forma, realizei um sonho. Isto não quer dizer que eu não tenha as minhas discussões, birras e afins com os meus pequenos, simplesmente deixei de ter o meu conflito interior e, logo, deixei de passar isso para eles. Mas nas últimas semanas, dei por mim a ter uns ataques de mau feitio. O auge antecedeu o meu período (que já existe!!!). Estava bastante refilona, gritava para acabar com os conflitos e, quase sem me aperceber, parecia-me normal fazer isto. Até que me caiu a ficha e pensei "não quero ser assim e sei que posso ser de outra forma". E é assim. O que é estranho é que, às vezes, parece que é bom que nos lembremos do que queremos, porque há um caminho, mais fácil, ou mais conhecido por mim, em que me pode ser fácil entrar. Mas eu não o quero, de todo...
Foi um mês intenso, em que visitei a família, de quem tanto gosto, mas que me traz sentimentos que eu às vezes ainda não consigo entender. São coisas guardadas num canto da minha alma, da minha infância, que fazem aparecer sentimentos que não sei bem como cuidá-los e guardá-los. Sinto que estou em plena fase de arrumações. Em casa, arrumo, deito fora, organizo. E sinto que também preciso de fazer isto com os meus sentimentos. Quando eles estão assim à solta, perdem-se e enfiam-se em assuntos que não lhes competem, confundindo o que eu sou com o que querem que eu seja. E custa-me encontrar-me. E é aí que quero chegar, a mim. E quando chego, sinto-me bem, em paz, comigo e com os meus. Os filhos espelham tão bem a nossa vida, os nossos momentos de confusão interna, que ainda me espanto por não perceber isso imediatamente quando os vejo diferentes...
Enfim, já vivo melhor com o facto de não ser uma mãe perfeita. Continuo a adorar ser mãe. E gosto de voltar a ver a mulher que vive em mim. E acho que essa também precisa de atenção. Precisa de ser cuidada. Precisa de encontrar-se. E nesta busca e confirmação do meu "eu" surge menos espaço para a culpa.
Gostava de mudar o nome do blog para "Eu queria ser... eu"... era mais adequado a este momento da minha vida.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz 2013!!

Com muita saúde, paz, muito amor, uns euros para ajudar e muitos beijos dos nossos filhos!!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Esta dor que me deu...

Hoje estou melodramática. Se tivesse o período (não o tenho desde que engravidei do R) de certeza que estaria naqueles dias que o antecedem. Sinto-me naquele dia do mês em que os nervos estão à flor da pele, em que estou profunda até às raízes.
Os meus filhos são maravilhosos. Disso não tenho dúvida nunca. Quero ser sempre ser melhor, por eles e por mim. Tenho aprendido muito sobre mim, ao ver o meu comportamento com eles. E tenho muito por aprender, muitas perguntas sem resposta. Cada dia descubro mais um bocadinho. E nem sempre o que vejo me agrada. Então tento aceitar e é tão difícil. E tentar aceitar não é desistir de ser melhor. Não! É só o primeiro passo para ser mais feliz. Hoje senti o bicho que vive dentro de mim a sair por causa de um gancho. Não propriamente por causa dele, mas porque a M chorou bem alto e desconsoladamente porque não gostava de se ver com ele. Atrasadas, mesmo muito, senti o bicho, mas não quero que ele apareça assim à frente deles, porque sei que é assustador. Eu só queria pôr o gancho porque tinha de pôr creme no olho dela e não queria pôr na franja, era tão simples... mas ela não se sentia bonita com ele, apesar de ter andado com ele toda a semana. Mas hoje não... E tem direito. Quantas vezes a roupa de que gosto tanto me faz sentir mal, sabe-se lá porquê. Mas eu também tenho direito de dizer que tem de ser, e que vai ter de o levar, para eu tratar da ferida. E posso dizê-lo convicta, segura, sem me exaltar. Mas isso só pode acontecer nos outros dias, neste dia do mês, em que o bicho anda à espreita, isso, que é aparentemente tão simples, não é nada fácil de fazer. Sinto o bicho e quero fugir e escondê-lo, mas ele quer mesmo sair. Mordo almofadas às escondidas (um truque de outra mãe, porque da última vez dei um pontapé na parede, também às escondidas, e acho que parti o dedo), ando de um lado para o outro furiosa, até que o bicho toma-me em gestos e em frases descontroladas: - "tira o gancho, assim já não tens porquê berrar... pára, por favor, por amor de Deus, eu não consigo ouvir mais... se não queres que eu cuide da tua ferida eu não cuido, é um problema teu, usaste o gancho todos os dias e fica-te bem, ficas linda de qualquer maneira... mas pára que eu fico doida". Claro que isto é acompanhado de uma voz desaustinada e um gesticular nervoso assustador. Claro que ninguém consegue parar e acalmar-se diante do monstro. Cabe-me a mim contê-lo. E finalmente controlo-o. Dou um abraço e um beijo e peço desculpa por ter gritado e ficado tão "doida" e logo a tempestade acaba...
Este bicho vive em mim, é verdade! Mas quero conhecê-lo melhor, quero ser amiga dele e quero que ele seja meu amigo e quero deixá-lo sair de mim para que se possa divertir, mas quero que encontremos os momentos certos. Quero ouvi-lo e saber de onde vem para melhor aceitá-lo. Quero que ele se canse enquanto corro, danço, grito no alto de um penhasco, qualquer coisa, para que não apareça aos meus filhos, porque ele mete medo. E eu gostava tanto que os meus filhos lidassem com os bichos que moram dentro deles de uma forma mais natural... tenho de aprender para que eles possam ver que é possível!
E depois, quando descarreguei toda a minha energia negativa sobre a forma daquele monstro, sinto-me leve e vazia e ouço uma música na rádio que me arrepia, uma voz que faz chorar e sinto toda esta dor que me deu... mas não é mau ter esta sensação, é libertadora...